Notícias

Terço dos Homens – 13 de Outubro 2020

Na próxima terça-feira, dia 13 de Outubro, venha rezar o Terço dos Homens. [ler +]

Primeiro horário provisório da Catequese

Primeiro horário provisório da Catequese da Paróquia de São Francisco Xavier. [ler +]

Ofertórios do primeiro fim-de-semana – Outubro 2020

Neste fim-de-semana, o primeiro do mês de Outubro, os ofertórios das Missas destinam-se a amortizar a dívida contraída com a construção da Nova Igreja. [ler +]

Primeiro Sábado – Outubro 2020

No dia 03, primeiro sábado de Outubro, venha fazer companhia a Nossa Senhora e rezar o terço no Primeiro sábado de cada mês antes da missa das 19h00. Não esquecer a máscara!

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A caminho – Catequese 2020-2021

Mensagem do Pe. António Borges aos paroquianos, sobre a Catequese 2020-2021. [ler +]

Bênção dos Estudantes

Tal como foi anunciado, no passado Domingo, 13 de Setembro, efectuou-se pela primeira vez na nossa Paróquia a Bênção dos Estudantes e suas famílias. [ler +]

Folha Informativa 11-10-2020

Domingo XXVIII do Tempo Comum (PDF)  TEXTO

Anthonisz Cornelis, Banquete dos membros da Guarda Cívica de archeiros de Amsterdão

A liturgia do 28º Domingo do Tempo Comum utiliza a imagem do “banquete” para descrever esse mundo de felicidade, de amor e de alegria sem fim que Deus quer oferecer a todos os seus filhos.

Na primeira leitura, Isaías anuncia o “banquete” que um dia Deus vai oferecer a todos os Povos. Acolher o convite de Deus e participar nesse “banquete” é aceitar viver em comunhão com Ele. Dessa comunhão resultará, para o homem, a felicidade total, a vida em abundância.

O Evangelho sugere que é preciso “agarrar” o convite de Deus. Os interesses e as conquistas deste mundo não podem distrair-nos dos desafios de Deus.

A opção que fizemos no dia do nosso baptismo não é “conversa fiada”; mas é um compromisso sério, que deve ser vivido de forma coerente.

DEHONIANOS

 

Fratelli Tutti

Otávio Carmo, Agência Ecclesia

Altdorfer Albrecht, Cristo na cruz entre Maria e São João

Francisco de Roma deixou-se inspirar por Francisco de Assis e colocou-se na esteira do futuro propondo um caminho de fraternidade. O Papa assinou em Assis neste sábado, dia 3 de Outubro, a Encíclica “Fratelli Tutti”, “Todos Irmãos”. Um documento sobre “a fraternidade e a amizade social”.

O desafio da fraternidade

Desde o primeiro dia do seu pontificado, que o Papa Francisco se apresentou ao mundo com a palavra “irmãos”. Logo ali na noite da sua eleição, em Roma, a 13 de Março de 2013 disse: “Irmãos e irmãs, boa noite!”. E lançou um desafio: “Comecemos este caminho, bispo e povo, um caminho de fraternidade e de confiança entre nós.”

Depois da Encíclica “Lumen Fidei”, em 2013 e da “Laudato Si”, em 2015, Francisco dirige-nos um grande desafio. O desafio da fraternidade proposta por Jesus: amar o próximo como a mim mesmo.

“De Lampedusa a Assis, passando por Paris e Abu Dhabi. ‘Fratelli Tutti’ deve ser a encíclica menos romana de que tenho memória, em quase 20 anos de profissão e outros mais de estudo, nesta área.
Tal como a Laudato Si’, em 2015, procurou responder com o conceito de ecologia integral aos desafios das alterações climáticas, em pleno debate que levaria ao Acordo de Paris, a encíclica sobre a fraternidade e a amizade social quer propor valores fundamentais num mundo marcado pela pandemia.
E oferecer uma resposta à questão inicial de todo o edifício ético ocidental, vinda do próprio Deus: Onde está o teu irmão?

Como vimos com a trágica crise dos últimos meses, acima da dignidade humana têm estado valores económicos, jogos políticos e interesses partidários. Mas a vida nunca é relativa.
A este respeito, recordo as perguntas que surgem no primeiro livro da Bíblia, o Génesis, que me parecem fundadoras da ética ocidental: “Onde está o teu irmão?” e “Que [lhe] fizeste?”.
O “interrogatório” de Deus a Caim, após a morte do seu irmão Abel, condensa o apelo fundamental que viria a ser sintetizado no ensinamento de Jesus Cristo: amar o próximo como a si mesmo.

Outro momento central do pontificado parece evidente na escolha do tema da nova encíclica: a fraternidade humana.
Na histórica viagem a Abu Dhabi, a 4 de Fevereiro de 2019, onde assinou com o imã de Al-Azhar uma declaração que condena a violência em nome da religião, o Papa deixou uma frase que define a sua visão do diálogo entre religiões e destas com a sociedade: “Hoje também nós, em nome de Deus, para salvaguardar a paz, precisamos de entrar juntos, como uma única família, numa arca que possa sulcar os mares tempestuosos do mundo: a arca da fraternidade”.
A pandemia devolveu-nos a percepção de limite. Não estávamos prontos para isso, no frenesim de 2020. Temos diante de nós o desafio de retirar consequências éticas e antropológicas da passagem por esta situação: o que somos, quando chega o fim?

A transformação dos mais vulneráveis em sujeitos dispensáveis é uma das marcas mais negativas (e temo que seja permanente) deste tempo. Caímos na globalização da indiferença, que o Papa denunciava na sua primeira viagem, carregada de simbolismo, em 2013, à ilha de Lampedusa.

Habituamo-nos ao sofrimento do outro. Uma crítica terrível, de Francisco, que nos convida agora a redescobrir a amizade social, um conceito que une sujeitos e instituições na construção de uma nova sociedade, marcada pela fraternidade.
Fratelli Tutti, como pedia São Francisco de Assis, irmão de todos.”

Temperança (para além da escassez)

Luigino Bruni

Piero del Pollaiolo, Virtude da Temperança

Temperança é palavra que está a sair do nosso vocabulário quotidiano. Do económico já saiu há muito tempo, para deixar espaço ao seu contrário.
Com a temperança está todo o léxico da ética das virtudes que tende a desaparecer da gramática da vida em comum.
Quando não se consegue ver o positivo do limite é impossível compreender e apreciar as virtudes, de modo especial a temperança, que consiste precisamente em dar valor ao limite que, ao mesmo tempo que restringe o horizonte de visão (como a “sebe da colina do Infinito” de Leopardi), abre «intermináveis espaços que estão para além dela».

Sem temperança não há partilha de bens, não existe a alegria da comunhão. Se não nos educarmos continuamente a delimitar as fronteiras do eu, partilharemos com os outros apenas as migalhas de refeições exageradas; assim não experimentaremos a verdadeira fraternidade, que é fruto de escolhas difíceis de quem sabe limitar razões e âmbitos do “eu”, para edificar as do “nosso”, e as de todos.​

Enquanto ontem existia uma relação clara entre a minha temperança e o meu bem-estar pessoal e o nosso bem comum, hoje na era da complexidade este nexo ofuscou-se. Já não é imediato associar o uso do ar condicionado na minha casa ao aumento da temperatura nas cidades.
A racionalidade económica por si só não ajuda a esta tomada de consciência (pelo contrário); seria necessário o registo lógico da virtude que nos leva a praticar uma acção por termos interiorizado o seu valor intrínseco.
Por isso, se não desmercantilizarmos a sociedade, isto é, se não libertarmos importantes áreas da vida civil, hoje ocupadas e colonizadas pela lógica do preço e do incentivo, cada vez menos entenderemos o valor da sobriedade, da abstinência, do controlo de si mesmo, e cada vez menos o entenderão as crianças.

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

Folha Informativa 04-10-2020

Domingo XXVII do Tempo Comum (PDF)  TEXTO

Hans Leonard Schäufelein, Parábola dos vinhateiros

A urgência de responder com bons frutos à chamada do Senhor, que nos convida a tornar-nos sua vinha, ajuda-nos a compreender o que há de novo e de original na fé cristã.

Ela não é tanto a soma de preceitos e normas morais mas, antes de tudo, uma proposta de amor que Deus, através de Jesus fez e continua a fazer à Humanidade.

É um convite a entrar nesta história de amor, tornando-nos uma vinha vivaz e aberta, rica de frutos e de esperança para todos.

Somos chamados a sair da vinha para nos pormos ao serviço dos irmãos que não estão connosco, para nos despertarmos reciprocamente e nos encorajarmos, para nos recordarmos que devemos ser vinha do Senhor em todos os ambientes, mesmo naqueles mais longínquos e difíceis.

Papa Francisco

 

O meu compromisso com o Reino de Deus

Dehonianos

Parábola dos vinhateiros, Codex aureus Epternacensis

A “vinha” de que Jesus fala é Israel – o Povo de Deus.
O dono da “vinha” é Deus.
Os “vinhateiros” são os líderes religiosos judaicos – os encarregados de trabalhar a “vinha” e de fazer com que ela produzisse frutos.
Os “servos” enviados pelo “senhor” são, evidentemente, os profetas que os líderes da nação, tantas vezes, perseguiram, apedrejaram e mataram.
O “filho” morto “fora da vinha” é Jesus, assassinado fora dos muros de Jerusalém.

É um quadro de uma gravidade extrema. Os “vinhateiros” não só não entregaram ao “senhor” os frutos que lhe deviam, mas fecharam todos os caminhos de diálogo e recusaram todas as possibilidades de encontro e de entendimento com o “senhor”: maltrataram e apedrejaram os servos enviados pelo “senhor” e assassinaram-lhe o filho.
Diante deste quadro, Jesus interpela directamente os seus ouvintes: “quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?”

A comunidade cristã primitiva encontrou facilmente resposta para esta questão.
Na perspectiva dos primeiros catequistas cristãos, a resposta de Deus à recusa de Israel foi dada em dois movimentos.
Em primeiro lugar, Deus ressuscitou o “filho” que os “vinhateiros” mataram, glorificou-O e constituiu-O “pedra angular” de uma nova construção; em segundo lugar, Deus decidiu retirar a “vinha” das mãos desses “vinhateiros” maus e ingratos e confiá-la a outros “vinhateiros” – a um povo que fizesse a “vinha” produzir bons frutos e que entregasse ao “senhor” os frutos a que ele tem direito.

Entretanto, a Mateus não interessa tanto a questão do filho – ressuscitado, exaltado e colocado como pedra angular da nova construção – quanto a questão da entrega da “vinha” a um outro povo.
Ao sublinhar este aspecto, Mateus tem em vista uma dupla finalidade…

Em primeiro lugar, ele explica dessa forma porque é que, na maioria das comunidades cristãs, os judeus – os primeiros trabalhadores da “vinha” de Deus – eram uma minoria: eles recusaram-se a oferecer frutos bons ao “senhor” da “vinha” e recusaram sempre as tentativas do “senhor” no sentido de uma aproximação e de um compromisso.
Logicamente, o “senhor” escolheu outros “vinhateiros”. O que é decisivo, para a escolha de Deus, não é que os novos trabalhadores da “vinha” sejam judeus ou não judeus; o que é decisivo é que eles estejam dispostos a oferecer ao “senhor” os frutos que lhe são devidos e a acolher o “filho” que o “senhor” enviou ao seu encontro.

Em segundo lugar, Mateus exorta a sua comunidade a produzir frutos verdadeiros que agradem ao “senhor” da “vinha”. Estamos no final do séc. I; passou já o entusiasmo inicial e os crentes da comunidade de Mateus instalaram-se num cristianismo fácil, sem exigência, descomprometido, instalado.

O catequista Mateus aproveita a oportunidade para exortar os irmãos da comunidade a que despertem, a que saiam do comodismo, a que se empenhem, a que dêem frutos próprios do Reino, a que vivam com radicalidade as propostas de Jesus.

O problema fundamental posto por este texto é o da coerência com que vivemos o nosso compromisso com Deus e com o Reino.
Deus não obriga ninguém a aceitar a sua proposta de salvação e a envolver-se com o Reino; mas uma vez que aceitamos trabalhar na sua “vinha”, temos de produzir frutos de amor, de serviço, de doação, de justiça, de paz, de tolerância, de partilha…

O nosso Deus não está disposto a pactuar com situações dúbias, descaracterizadas, amorfas, incoerentes, mentirosas; mas exige coerência, verdade e compromisso.
A parábola convida-nos, antes de mais, a não nos deixarmos cair em esquemas de comodismo, de instalação, de facilidade, de “deixa andar”, mas a levarmos a sério o nosso compromisso com Deus e com o Reino e a darmos frutos consequentes.

O meu compromisso com o Reino é sincero e empenhado? Quais são os frutos que eu produzo?
Quando se trata de fazer opções, ganha o meu comodismo e instalação, ou a minha vontade de servir a construção do Reino?

Fazer frutificar a vinha

Ermes Ronchi, in Avennire

Parábola dos vinhateiros, Codex aureus Epternacensis (pormenor)

A parábola é transparente: a vinha é Israel, os vinhateiros ávidos são as autoridades religiosas, que matarão Jesus como blasfemo. A motivação é a mesma: interesse, poder e dinheiro, ficar com a colheita e a herança. É a voz obscura que grita em cada um de nós: sê o mais forte, o mais astuto, não te importes com a honestidade e serás tu o chefe, o rico, o primeiro. Esta embriaguez por poder e dinheiro é a origem de todas as vindimas de sangue da terra.

O que fará o proprietário? A resposta das autoridades é uma vingança exemplar, novos vinhateiros, novos tributos. A sua ideia de justiça funda-se na eliminação de quem comete erros. Jesus não está de acordo. Ele não fala de fazer morrer, nunca. O seu propósito é fazer frutificar a vinha: será dada a um povo que produza frutos.
A história perene de amor e traição entre Deus e o homem não terminará nem com um fracasso nem com uma vingança, mas com a oferta de uma nova possibilidade: dará a vinha a outros.

Entre Deus e o homem as derrotas servem apenas para realçar melhor o amor de Deus. O sonho de Deus não é nem o tributo finalmente pago nem a condenação a uma pena exemplar para quem errou, mas uma vinha, um mundo que não amadureça mais cachos vermelhos de sangue e amargos de lágrimas, que não seja uma guerra perene pelo poder e pelo dinheiro, mas que amadureça uma vindima de justiça e de paz, a revolução da ternura, a tríplice cura de si, dos outros e da criação.

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

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