Domingo IV do Tempo Comum (PDF) TEXTO

Maurycy Gottlieb, Cristo a ensinar na sinagoga

Jesus, sendo aquele dia um sábado, foi imediatamente à sinagoga e pôs-Se a ensinar.

Isto faz pensar na primazia da palavra de Deus, Palavra que deve ser ouvida, acolhida, anunciada.

Nas palavras humanas de Jesus sentia-se toda a força da Palavra de Deus, a própria autoridade de Deus, inspirador das Sagradas Escrituras. E uma das características da Palavra de Deus é que realiza aquilo que diz. Porque a Palavra de Deus corresponde à sua vontade.

Jesus, depois de ter pregado, demonstra imediatamente a sua autoridade libertando um homem, presente na sinagoga, que estava possuído pelo demónio.

A Palavra de Deus possui a força de nos deixar surpreender. O trecho de hoje termina com uma abertura missionária e diz assim: “E a sua fama logo se espalhou por toda a parte”.

A nova doutrina ensinada com autoridade por Jesus é a que a Igreja leva ao mundo, juntamente com os sinais eficazes da sua presença.

PAPA FRANCISCO, 2015 (excerto adaptado)

A voz de Maria

S. Bernardo

Piero di Cosimo, Visitação

Maria era muito reservada; nós encontramos prova disso no Evangelho. Quando é que viram que ela fosse loquaz ou cheia de presunção?

Um dia, ela pôs-se à porta, desejosa de falar com o seu filho, mas não usou da sua autoridade maternal para interromper a sua pregação, nem para entrar na casa onde ele pregava. (Mc 3,13).

Se tenho boa memória, os evangelistas não ouviram mais do que quatro vezes a palavra de Maria.
A primeira, quando ela se dirige ao anjo; ainda assim não é mais do que uma resposta.
A segunda, na sua visita a Isabel, quando, glorificada pela prima, ela preferiu glorificar o Senhor.
A terceira, quando ela se queixou ao seu filho, então com a idade de doze anos, que o pai e ela própria o haviam procurado numa inquietação.
A quarta, nas bodas de Cana, quando ela interpela o seu filho e os servos.

Em todas as outras circunstâncias, Maria mostra-se lenta para falar, pronta para escutar, porque “ela conservava todas essas palavras no seu coração” (Lc 2,19.51).

Não, vocês não encontram em parte alguma que ela tenha falado, nem mesmo do mistério da Encarnação. Pobres de nós que temos palavra fácil! Pobres de nós que derramamos toda a nossa alma, como um recipiente roto!

Quantas vezes Maria ouviu o seu filho, não apenas falar em parábolas à multidão, mas na intimidade, revelar aos discípulos os segredos do Reino dos céus.

Ela viu-O fazer milagres, depois suspenso na cruz, expirando, ressuscitado, e subindo ao céu.

Quantas vezes se pode dizer que em todas essas circunstâncias se tenha feito ouvir a voz da Virgem?…

Quanto maior Maria é, mais ela se humilha não apenas em tudo, mas mais que todos.

A contemplação de Deus

Guilherme de S. Thierry

«Vinde! Subamos à montanha do Senhor, subamos à casa do Deus de Jacob, e ele nos ensinará os seus caminhos» (Is 2,3).

Vós, intenções, desejos intensos, vontade e pensamentos, afetos e energias do coração, vinde, escalemos a montanha, ganhemos o lugar onde o Senhor vê e Se dá a ver.

Mas vós, preocupações e inquietações, trabalhos e servidões, esperai-nos aqui […], até que, apressando-nos para este lugar, estejamos de regresso para junto de vós após termos adorado (cf. Gn 22,5).

Porque teremos de regressar, e muito depressa, mesmo.

Senhor, Deus da minha força, faz que nos voltemos para Ti, «mostra-nos o teu rosto e seremos salvos» (Sl 79,20).

Mas, Senhor, como é prematuro, audaz, presunçoso, contrário à regra dada pela palavra da tua verdade e sabedoria, pretender ver a Deus de coração impuro!

Ó bondade soberana, bem supremo, vida dos corações, luz dos nossos olhos interiores, na tua bondade, Senhor, tem piedade.

Ei-la, a minha purificação, a minha confiança e justiça: a contemplação da tua bondade, meu bom Senhor! Tu, meu Deus, dizes à minha alma, como só Tu sabes fazer: «Eu sou a tua salvação» (Sl 34,3).

Rabbouni, mestre soberano e professor, Tu, que és o único doutor capaz de me fazer ver o que eu desejo ver, diz a este teu mendigo cego: «Que queres que te faça?»

E sabes bem, Tu, que me dás essa graça […], com quanta força o meu coração Te grita: «Procurei-Te, Senhor; os meus olhos Te procuram; é a tua face que eu procuro» (Sl 26,8).

«Quem conhece os segredos do homem, a não ser o espírito do homem que está nele?
De igual modo, ninguém conhece os segredos de Deus, a não ser o Espírito de Deus» (1Cor 2, 11). ¶ Apressa-te a comunicar com o Espírito Santo. Ele torna-Se presente logo que é invocado; se O invocamos é porque Ele já está presente.
Chamado, Ele vem; e chega na abundância das bênçãos divinas.
É Ele o rio impetuoso que alegra a cidade de Deus (Sl 45, 5).

Quando vem, se te encontra humilde e sem preocupações, temente à palavra de Deus, ficará em ti e revelar-te-á o que Deus esconde aos sábios e aos entendidos deste mundo (Mt 11, 25).

Então começarão a brilhar para ti todas essas verdades que a Sabedoria podia dizer aos discípulos quando estava na terra, mas que eles não podiam entender antes da vinda do Espírito da verdade que lhes ensinaria toda a verdade.

[…]

Assim como os que adoram a Deus devem necessariamente adorá-Lo «em espírito e em verdade» (Jo 4, 24), também os que desejam conhecê-Lo só no Espírito Santo devem procurar a inteligência da fé. […]

No meio das trevas e da ignorância desta vida, Ele é, para os pobres em espírito (Mt 5, 3), a luz que ilumina, a caridade que atrai, a doçura que agarra a alma, o amor daquele que ama, a devoção daquele que é livre sem reservas.

É Ele quem, de convicção em convicção, revela aos crentes a justiça de Deus; Ele dá graça sobre graça (Jo 1, 16) e, à fidelidade na escuta da Palavra, Ele dá a fé da iluminação.

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