Domingo XXX do Tempo Comum (PDF)  TEXTO

Bril, Jesus caminha sobr as águas

«Que faz com que a minha vida seja valiosa e valha a pena vivê-la, apesar de todas as dificuldades?».

A experiência do fracasso e a consciência da própria incapacidade (relacionada muitas vezes com a grande competitividade no mundo actual) levam muitos jovens à tristeza, ao desânimo e à desesperança.

Fenómenos que até há uns anos atrás conseguiam resolver-se sem demasiados dramatismos (aprendia-se que o fracasso faz parte da vida, que somos limitados e que necessitamos dos outros) hoje são causa de uma tristeza de fundo.

Como curar essa falta de esperança que experimentam muitos jovens?

Só centrando a vida em Deus e, por Ele, nos outros, conseguimos crescer na virtude da esperança, porque percebemos o sentido da nossa vida.

Rodrigo Lynce de Faria

 

Dar os nossos dons

Dennis Clark, Catholic Exchange

Vincent van Gogh, O Bom Samaritano

Uma jovem mãe estava a ter um dos piores dias da sua vida. O marido havia perdido o emprego; o esquentador tinha explodido; o carteiro trouxe um monte de contas que ela não podia pagar; o seu cabelo estava péssimo e sentia-se gorda e feia. Estava quase no ponto de ruptura quando levantou o seu filho de um ano e o sentou na cadeira de bebé, apoiou a cabeça no tabuleiro e começou a chorar. Sem um murmúrio, a criança tirou a chucha da sua boca… e carinhosamente colocou-a na dela!

Compaixão: Ele desconhecia a palavra mas o seu coração conhecia a necessidade. E deu o que tinha. Nós somos, de tantas maneiras, os artífices dos mundos dos outros. Minuto após minuto criamos o mini-mundo em que vivemos juntos. E na maior parte das vezes nem sequer pressentimos como é enorme a nossa capacidade de levar alegria ou tristeza, cura ou dor aos outros.

Por exemplo, quando participamos na missa estamos a criar um breve e pequeno mundo. Outras pessoas, cujos nomes nem sequer conhecemos, prepararam o espaço para nós: limparam o pó e varreram, arranjaram e colocaram flores, ensaiaram os cânticos. Agora é a nossa vez de fazer da celebração um espaço calmo, pacífico e acolhedor, um espaço onde podemos ajudar os outros a experimentar a presença amorosa de Deus, a sua força, o seu conforto e apoio.

Fazemos isso de inúmeras maneiras: o modo como entramos e saímos, o modo como cantamos e rezamos em conjunto, o modo como damos espaço uns aos outros, o modo como fazemos silêncio uns para os outros. São muitas as maneiras como criamos ou destruímos algo admirável.

Toda a nossa vida é assim: desde o momento em que abrimos os nossos olhos pela manhã até quando os fechamos à noite, temos o poder de criar e o poder de destruir, o poder de dar os nossos dons – grandes e pequenos – e o poder de os recusar.
Provavelmente nenhum de nós encontrará alguma vez um homem a morrer na berma da estrada. E a maior parte de nós raramente será chamada a fazer um sacrifício realmente significativo por outra pessoa. Mas todos nós iremos encontrar milhares de pessoas cujas vidas podemos tornar um pouco mais ricas, um pouco mais felizes porque estávamos lá e porque demos o que tínhamos – tal como aquela criança deu a sua chucha.

A cada momento cada um de nós tem alguma coisa a dar, alguma coisa que é precisa. Dá-la-emos? Temos de dar, simplesmente porque dar os nossos dons é a única maneira possível de encontrar a felicidade.
A vida não é um desporto de bancada! Dar os nossos dons – todos eles, todos os dias – é a única maneira de realizar a nossa vida, a única maneira de crescermos à imagem e semelhança de Deus.

 

Acções concretas

Papa Francisco, Maio 2015

 

Jesus mostra que o verdadeiro amor é concreto nas acções, constante, e não um simples entusiasmo. Mas muitas vezes é também um amor doloroso: pensemos no amor de Jesus que carrega a cruz.
Contudo, em Mateus 25, Jesus ensina-nos as obras do amor com palavras claras: «quem ama age assim». É um pouco o protocolo do juízo: eu tinha fome, tinha sede….

Também as bem-aventuranças, como programa pastoral de Jesus, são concretas.
Assim, o primeiro critério para permanecer no amor de Jesus é que o nosso amor seja concreto, observando os seus mandamentos.
Por isso, uma das primeiras heresias no cristianismo foi a do pensamento gnóstico, que via um Deus distante, não concreto.
E o apóstolo João condena-a: “Eles não crêem que a Palavra se fez carne”.
Mas com o seu amor o Pai foi concreto, enviou o seu Filho que Se fez carne para nos salvar.
Eis o primeiro critério.

O segundo critério, é que o amor se comunica, não permanece isolado: o amor dá-se a si mesmo e recebe; faz-se a comunicação que há entre o Pai e o Filho, a comunicação do Espírito Santo.
Por isso, não há amor sem comunicação, isolado.
Alguém poderia dizer que os monges e as monjas de clausura vivem isolados», mas não é assim, porque se comunicam muito com o Senhor e com quantos vão ter com elas em busca da palavra de Deus.

O amor autêntico não pode isolar-se, e se está isolado não é amor, mas uma forma espiritualista de egoísmo, um fechamento à procura do próprio proveito. Em síntese, é egoísmo.

Assim, permanecer no amor de Jesus significa estar no amor do Pai que nos enviou Jesus, significa fazer e não só dizer; significa capacidade de dialogar com o Senhor e com os irmãos.

No fundo, é muito simples, mas não é fácil, porque o egoísmo atrai, levando-nos a não realizar gestos concretos: atrai-nos a não comunicar.

Mas o que diz o Senhor de quem permanece no seu amor? «Disse-vos isto para que a minha alegria permaneça em vós, e para que ela seja plena».
Portanto, o Senhor que permanece no amor do Pai é jubiloso; e acrescenta: «Se permanecerdes no meu amor, a vossa alegria será total».
Trata-se de uma alegria que muitas vezes vem com a cruz. Mas como o próprio Jesus disse: ninguém vo-la poderá tirar.

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018