Domingo III do Tempo Comum (PDF) TEXTO

Gebhart Fugel, Chamamento dos discípulos

Queres uma Igreja profética?

Começa a servir, e não digas nada. Não teoria, mas testemunho. Precisamos não de ser ricos, mas de amar os pobres; não de ganhar para nós, mas de nos gastarmos pelos outros; não do consenso do mundo, do estar de bem com todos, não! Isto não é profecia.

Mas precisamos da alegria pelo mundo que virá; precisamos de pastores que ofereçam a vida: de enamorados de Deus.

Foi assim, como enamorados, que Pedro e Paulo anunciaram Jesus. Pedro, antes de ser colocado na cruz, não pensa em si mesmo, mas no seu Senhor e, considerando-se indigno de morrer como Ele, pede para ser crucificado de cabeça para baixo. Paulo está para ser decapitado e pensa só em dar a vida, escrevendo que quer ser «oferecido como sacrifício».

Isto é profecia …e não palavras. Isto é profecia, a profecia que muda a história.

Papa Francisco, 2020

Responder com alegria à chamada de Jesus

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, Janeiro de 2017

A página evangélica (Mt 4, 12-23) narra o início da pregação de Jesus na Galileia.

Ele deixa Nazaré, uma aldeia situada nos montes, e estabelece-se em Cafarnaum, importante centro nas margens do lago, habitado essencialmente por pagãos, ponto de cruzamento entre o Mediterrâneo e o interior da Mesopotâmia.

Esta escolha indica que os destinatários da sua pregação não são apenas os seus conterrâneos, mas quantos desembarcam na cosmopolita «Galileia das gentes»: assim se chamava.

Vista da capital Jerusalém, aquela terra é geograficamente periférica e religiosamente impura, porque estava cheia de pagãos, por causa da mistura com os que não pertenciam a Israel.

Da Galileia não se esperavam certamente grandes coisas para a história da salvação.

No entanto, precisamente dali – exactamente dali – se espalha aquela “luz” sobre a qual meditámos nos domingos passados: a luz de Cristo.
difunde-se precisamente da periferia.

A mensagem de Jesus imita a do Baptista, anunciando o «reino dos céus».
Este reino não comporta a instauração de um novo poder político, mas o cumprimento da aliança entre Deus e o seu povo que inaugurará uma época de paz e de justiça.

Para realizar este pacto de aliança com Deus, cada um está chamado a converter-se, transformando a sua maneira de pensar e de viver.
Isto é importante: converter-se não significa só mudar o modo de viver, mas também a forma de pensar.

É uma transformação do pensamento.
Não se trata de mudar de roupa, mas de costumes.

O que diferencia Jesus de João Baptista é o estilo e o método.
Jesus escolhe ser um profeta itinerante. Não fica à espera das pessoas, mas vai ao seu encontro.
Jesus está sempre na rua! As suas primeiras saídas missionárias dão-se ao longo das margens do lago de Galileia, em contacto com a multidão, sobretudo com os pescadores. Ali Jesus não só proclama a vinda do reino de Deus, mas procura companheiros para a sua missão de salvação.

Neste mesmo lugar encontra dois pares de irmãos: Simão e André, Tiago e João; chama-os dizendo: «Segui-me, e far-vos-ei pescadores de homens».
A chamada alcança-os no auge das suas actividades diárias: o Senhor revela-Se a nós não de forma extraordinária ou sensacional, mas na quotidianidade das nossas vidas.

Ali devemos encontrar o Senhor; e ali Ele revela-Se, faz sentir ao nosso coração o seu amor; e ali ­– com este diálogo com Ele no dia-a-dia da vida – muda o nosso coração.

A resposta dos quatro pescadores é imediata e pronta: «No mesmo instante eles deixaram as suas redes e O seguiram».
Com efeito, sabemos que tinham sido discípulos do Baptista e que, graças ao seu testemunho, já tinham iniciado a acreditar em Jesus como Messias.

Nós, cristãos de hoje, temos a alegria de proclamar e testemunhar a nossa fé porque houve aquele primeiro anúncio, porque houve aqueles homens humildes e corajosos que responderam generosamente à chamada de Jesus.

Nas margens do lago, numa terra inimaginável, nasceu a primeira comunidade dos discípulos de Cristo.
A consciência destes primórdios suscite em nós o desejo de levar a palavra, o amor e a ternura de Jesus a todos os contextos, inclusive ao mais inacessível e relutante.

Levar a Palavra a todas as periferias! Todos os espaços de vivência humana são terreno no qual lançar a semente do Evangelho, a fim de que traga frutos de salvação.

 

 

 

 

 

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