Reunião do Conselho Pastoral

O Conselho Pastoral da Paróquia de São Francisco Xavier reúne-se no próximo dia 24 de Fevereiro, entre as 10h30 e as 12h00, na Igreja Paroquial, convocado pelo Sr. Prior, Cónego Dr. José Manuel dos Santos Ferreira. [ler +]

Peregrinação a Fátima dos adolescentes da Catequese

Um grupo de jovens da nossa Catequese, apoiados por três Catequistas, participaram neste sábado numa peregrinação de adolescentes a Fátima, organizada pelos secretariados diocesanos da Catequese de Leiria-Fátia, Lisboa, Portalegre-Castelo Branco e Santarém. [ler +]

Folha Informativa 18-02-2024

Domingo I da Quaresma (PDF) TEXTO

Juan de Flandes, Tentação de Cristo no deserto

Jesus ensinou que é necessário «orar sempre, sem desfalecer». Precisamos de rezar, porque necessitamos de Deus.

A ilusão de nos bastar a nós mesmos é perigosa. (…)ninguém se salva sem Deus, porque só o mistério pascal de Jesus Cristo nos dá a vitória sobre as vagas tenebrosas da morte.

A fé não nos preserva das tribulações da vida, mas permite atravessá-las unidos a Deus em Cristo, com a grande esperança que não desilude.

Se é verdade que toda a nossa vida é tempo para semear o bem, aproveitemos de modo particular esta Quaresma para cuidar de quem está próximo de nós. (…) é tempo propício para procurar, e não evitar, quem passa necessidade; para chamar, e não ignorar, quem deseja atenção e uma boa palavra; para visitar, e não abandonar, quem sofre a solidão.

Acolhamos o apelo a praticar o bem para com todos, reservando tempo para amar os mais pequenos e indefesos, os abandonados e desprezados, os discriminados e marginalizados.

Papa Francisco, 2021

Quaresma

Dehonianos, 2024

Foto Agência Ecclesia

Quaresma é a palavra utilizada para designar o período de 40 dias, no qual os católicos realizam a preparação para a Páscoa, a mais importante festa do calendário litúrgico cristão, pois celebra a Ressurreição de Jesus, a base principal da fé cristã.
Nesse período, que começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na Quarta-feira da Semana Santa, os fiéis são convidados a fazerem um confronto especial entre as suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esse confronto deve levar o cristão a aprofundar a sua compreensão da Palavra de Deus e a intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé.
Desde os tempos antigos, a Quaresma sempre significou um período de renovação da própria vida. As práticas a cumprir eram três: a oração, a luta contra o mal e o jejum.

A oração para pedir a Deus força para se converter e para crer no Evangelho. Aqui sublinha-se o aspecto da mudança, da consciência do próprio erro e a possibilidade de encetar um caminho diferente. O segundo aspecto sublinhado é rezar para ter a fé como dom de Deus. Quase que se poderá dizer que a Quaresma é um tempo de retiro vivido por toda a Igreja.

A luta contra o mal para dominar as paixões e o egoísmo, abrir-nos aos outros.

O jejum. Para seguir Jesus Cristo, o cristão deve ter a força de se esquecer de si mesmo, de não pensar nos próprios interesses, mas só no bem do irmão. Assumir uma atitude constante, generosa e desinteressada não é fácil. É este o sentido do jejum. Também pode significar que para ajudar a quem se encontra em mais necessidade, é muitas vezes necessário renunciar àquilo de que se gosta e isso implica sacrifício. Não fazem assim as mães pelos seus filhos? O fruto do jejum servirá para matar a fome e a sede a um necessitado. É este o sentido do jejum apresentado pelo Pastor de Hermas. O Papa Leão Magno referia: “Nós prescrevemos-vos o jejum, lembrando-vos não só da necessidade da abstinência, mas também das obras de misericórdia”.

A esmola também é uma forma de solidariedade, de partilha.

Quaresma, tempo de reconciliação
A Quaresma é tempo favorável para, através de diversas formas, renovarmos a nossa fidelidade cristã. O gesto de imposição das mãos na Quarta-Feira de Cinzas leva-nos a tomar consciência da nossa condição de pecadores. A Quaresma é tempo propício para o aprofundamento do desígnio de Deus sobre cada um. É tempo de renunciar, de converter e de crer.
Ao longo destes 40 dias, as leituras sugerirão: sentido de jejum e da partilha, amor ao próximo, importância da oração, conversão, justiça de Deus, a sua misericórdia, o perdão e a reconciliação. Estas leituras quaresmais levam-nos a interrogarmo-nos: como vivemos as exigências do nosso batismo? Sugere-se mais reflexão sobre a Palavra de Deus, mais oração e a Via-Sacra.

A Quaresma exige que façamos a revisão das nossas competências. Se lutamos por ser competentes ou somos “do despacha”, porque custa. Também exige que façamos a revisão da nossa moralidade: os nossos costumes, os nossos valores, as nossas ações.
Assim como diz o Catecismo da Igreja Católica, entremos numa linha de ascese (esforço, sacrifício) e deixemos de lado a acédia (preguiça espiritual).

 

Não nos cansemos de fazer o bem

João Paulo II, mensagem para a Quaresma, 1987 (excertos)

Simone Martini and Lippo Memmi. Madonna della Misericordia

«Encheu de bens os famintos, e despediu vazios os ricos» (Lc 1, 53).
Estas palavras que a Virgem Maria pronunciou no seu Magnificat são ao mesmo tempo um louvor a Deus Pai e um apelo que cada um de nós pode acolher no seu coração e meditar neste tempo da Quaresma.

Tempo de conversão, tempo da Verdade que nos «tornará livres». Perante Deus nosso Criador, perante Cristo nosso Redentor, de que nos podemos orgulhar? Que riquezas ou que talentos nos poderiam dar qualquer superioridade?

Maria ensina-nos que as verdadeiras riquezas, as que não passam, vêm de Deus; nós devemos desejá-las, ter fome delas, abandonar tudo aquilo que é fictício e passageiro, para receber estes bens e recebê-los em abundância. Convertamo-nos, abandonemos o velho fermento do orgulho e de tudo aquilo que conduz à injustiça, ao desprezo, à ânsia de possuir egoisticamente dinheiro e poder.

Se nos reconhecermos pobres diante de Deus – o que é verdade e não falsa humildade – teremos um coração de pobre, olhos e mãos de pobre para partilhar aquelas riquezas das quais Deus nos colmará: a nossa Fé que não podemos guardar egoisticamente só para nós, a Esperança, da qual têm necessidade aqueles que estão privados de tudo, a Caridade, que nos faz amar os pobres como Deus os amou, com um amor de preferência. O Espírito do Amor nos colmará de mil bens a partilhar: quanto mais os desejarmos, tanto mais os receberemos em abundância.

Se formos verdadeiramente aqueles «pobres de espírito» aos quais é prometido o Reino dos céus, a nossa oferta será bem aceite por Deus. Também a oferta material, que costumamos dar durante a Quaresma, se for feita com um coração de pobre, é uma riqueza, porque damos aquilo que recebemos de Deus para ser distribuído: não recebemos senão para dar. Como os cinco pães e os cinco peixes do jovem que as mãos de Cristo multiplicaram para alimentar a multidão, do mesmo modo aquilo que oferecemos será multiplicado por Deus para os pobres.

Chegaremos nós ao fim desta Quaresma com o coração repleto, cheios de nós mesmos, mas com as mãos vazias para os outros? Ou, guiados pela Virgem do Magnificat, com uma alma de pobre, faminta de Deus, e com as mãos cheias de todos os dons de Deus para distribuir ao mundo que tanta necessidade tem deles?

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018