Folha Informativa 13-10-2019

Domingo XXVIII do Tempo Comum (PDF)     TEXTO

Sabemos agradecer?

O leproso agradecido, Jorge Cocco

Na vossa relação, e amanhã na vida matrimonial, é importante ter viva a consciência de que a outra pessoa é um dom de Deus, e aos dons de Deus diz-se “obrigado”.

E nesta atitude interior dizer-se obrigado mutuamente, por cada coisa.

Não é uma palavra gentil a usar com os estranhos, para ser educado.

É preciso saber-se dizer “obrigado” para avançar bem em conjunto na vida matrimonial.

Papa Francisco, Catequese sobre Matrimónio,14 de Fevereiro de 2012

 

 

 

Reconhecer os dons de Deus

Dehonianos (resumo)

Os dez leprosos, Don Detrick

A leitura convida-nos, antes de mais, a tomar consciência de que é de Deus – desse Deus que tem um projecto de salvação para o homem – que recebemos a vida plena.
É em Deus que eu coloco a minha esperança de vida plena, ou há outros deuses que me seduzem, que dirigem a minha vida e que são a minha esperança de realização e de felicidade?

A proposta de salvação que Deus faz destina-se a todos os homens e mulheres, sem excepção. O nosso Deus não é um Deus dos “bonzinhos”, dos bem comportados, dos brancos, dos politicamente correctos ou dos que têm o nome no livro de registos da paróquia… O nosso Deus é o Deus que oferece a vida a todos e que a todos ama como filhos; o que é decisivo é aceitar a sua oferta de salvação e acolher o seu dom. Daqui resultam duas coisas importantes: a primeira é que não basta ser baptizado (e depois prescindir d’Ele e viver à margem das suas propostas); a segunda é que não podemos marginalizar ou excluir qualquer irmão nosso.
O número dez tem, certamente, um significado simbólico: significa “totalidade” (o judaísmo considerava necessário que pelo menos dez homens estivessem presentes, a fim de que a oração comunitária pudesse ter lugar, porque o “dez” representa a totalidade da comunidade). A presença de um samaritano no grupo indica, contudo, que essa salvação oferecida por Deus, em Jesus, não se destina apenas à comunidade do “Povo eleito”, mas se destina a todos os homens, sem excepção, mesmo àqueles que o judaísmo oficial considerava definitivamente afastados da salvação.

É preciso que nos apercebamos que tudo é dom do amor de Deus e não uma conquista nossa ou a recompensa pelos nossos méritos ou pelas nossas boas obras. Estou consciente de que é de Deus que recebo tudo e manifesto-Lhe a minha gratidão pela sua presença, pelos seus dons, pelo seu amor?

O acento do episódio de hoje é posto – mais do que no episódio da cura em si – no facto de que, dos dez leprosos curados, só um tenha voltado para trás para agradecer a Jesus e no facto de este ser um samaritano.
Lucas está interessado em mostrar que quem recebe a salvação deve reconhecer o dom de Deus e deve estar agradecido…
E avisa que, com frequência, são os hereges, os marginais, os desprezados, aqueles que a teologia oficial considera à margem da salvação, que estão mais atentos aos dons de Deus.

Aqueles que recebem de Deus carismas para pôr ao serviço dos irmãos sentem-se apenas instrumentos de Deus e procuram dirigir os olhares e a gratidão dos irmãos para Deus, ou estão preocupados em sublinhar os seus méritos e em concentrar em si próprios a gratidão que brota dos corações daqueles a quem servem?

Curiosamente, os dez “leprosos” não são curados imediatamente por Jesus, mas a “lepra” desaparece “no caminho”, quando iam mostrar-se aos sacerdotes. Isto sugere que a acção libertadora de Jesus não é uma acção mágica, caída repentinamente do céu, mas um processo progressivo (o “caminho” define, neste contexto, a caminhada cristã), no qual o crente vai descobrindo e interiorizando os valores de Jesus, até à adesão plena às suas propostas e à efectiva transformação do coração.
Assim, a nossa “cura” não é um momento mágico que acontece quando somos baptizados, ou fazemos a primeira comunhão ou nos crismamos; mas é uma caminhada progressiva, durante a qual descobrimos Cristo e nascemos para a vida nova.

 

Tomar consciência

P. Dennis Clark, In Catholic Exchange

Algumas feridas no nosso espírito são tão profundas que parecem estar além de qualquer cura. Mas Jesus assegura-nos que não é assim.

O Evangelho deste Domingo mostra-nos por onde começar: nomear as nossas feridas claramente e especificamente.
É o que dizem os leprosos: “Estamos a decompor-nos, Senhor. Cura-nos.”
Alguma vez chegámos a ser tão claros e específicos? Raramente.
O que é mau porque, a não ser que demos nome às nossas feridas e as assumamos como nossas, nunca seremos capazes de as entregar integralmente a Deus para que Ele as cure. Nunca estaremos prontos a trabalhar com Deus nesse longo e lento processo pelo qual somos tratados.

Deus quer que cada um de nós esteja curado e feliz. Porque havemos então de desperdiçar mais tempo? Porque não optamos antes por olhar cuidadosamente para dentro de nós, ver as feridas escondidas desde há muito, nomeá-las claramente, assumi-las e então entregá-las a Deus?

Não há dúvida de que esta atenção às nossas feridas pode entristecer-nos.
E entregar integralmente as dores e as feridas a Deus demorará muito tempo.
Elas fazem tanto parte de nós que é difícil deixá-las partir!
Mas a recompensa é uma vida inteiramente nova.
«Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos», diz Cristo.

 

Folha Informativa 06-10-2019

Domingo XXVII do Tempo Comum (PDF)     TEXTO

Fizemos o que devíamos fazer

Vincent Van Gogh, Grão de mostarda

A vocação do cristão é «servir», nunca «servir-se de».

Gratuitamente recebestes, gratuitamente dai.

A vida cristã é uma vida de gratuidade.

Quando temos necessidade de algo espiritual ou de uma graça, dizemos: “farei jejum, uma penitência, uma novena…”.

Tudo isto está bem, mas fiquemos atentos: isto não é para “pagar” a graça, para “comprar” a graça; isto serve para alargar o teu coração para que chegue a graça.

Papa Francisco, Serviço e gratuidade,11 de Junho de 2019

 

 

Fé, entre fragilidade humana e força de Deus

Enzo Bianchi, In “Monastero di Bose”

A fé, que deve ser entendida em primeiro lugar como adesão, só pode estar presente onde existe uma relação pessoal e concreta com Jesus.

A fé não é um conceito de ordem intelectual, não é colocada antes de tudo numa doutrina ou numa verdade, muito menos em fórmulas, nos dogmas. A fé não é, antes de tudo, um “crer que” (por exemplo, que Deus exista), mas é um acto de confiança no Senhor.

Trata-se de aderir a Ele, de a Ele se ligar, de colocar n’Ele a confiança até ao abandono a Ele numa relação vital, pessoalíssima. A fé é reconhecer que da parte do ser humano há fragilidade, portanto não é possível ter fé-confiança em si próprio.

É verdade que a fé é um acto que se situa na fronteira entre fragilidade humana e força que vem de Deus, força que torna possível precisamente o acto de fé.
Não nos esqueçamos que a incredulidade ou a pouca fé denunciadas por Jesus caracterizam a situação do discípulo, não de quem não encontra ou não escuta Jesus.

Os apóstolos estão conscientes de ter uma fé pequena: gostariam de ser gigantes da fé, mas Jesus faz-lhes compreender que a fé, ainda que pequena, se é adesão real a Ele, é suficiente para alimentar a relação com Ele e acolher a salvação. É verdade, a nossa fé é sempre de curto prazo, mas basta ter em nós a semente desta adesão ao poder do amor de Deus operante em Jesus Cristo.

Crer significa, em última análise, seguir Jesus: e quando se O segue, caminha-se atrás d’Ele, muitas vezes vacilando, mas acolhendo a acção com que Ele nos reergue e nos apoia, para que possamos estar sempre onde Ele está.

Nós, cristãos, devemos olhar com frequência para o pequeno grão de mostarda, tê-lo na palma da mão, ter consciência de quanto é minúsculo; mas deveremos também vê-lo com semente semeada, morta debaixo da terra, germinada e crescida, até se tornar grande como uma planta que dá abrigo às aves do céu – imagem usada por Jesus para descrever o Reino de Deus – e, por isso, surpreender-nos. Assim é a nossa fé, pequeníssima, talvez; mas não temamos, porque se a fé existe, é suficiente, porque é mais forte de toda a nossa outra atitude. A fé é a fé: sempre, mesmo se pequena, é adesão a uma relação, é obediência.

A resposta de Jesus aos apóstolos prossegue com uma parábola que lhes diz particularmente respeito, enquanto enviados a trabalhar no campo, na vinha cujo proprietário é Deus.

Jesus adverte-os para o risco de confiarem em si próprios, porque esse é o pecado que se opõe radicalmente à fé.
Isto poderá acontecer também aos enviados que, conscientes de terem feito pontualmente a vontade de Deus, desejariam ser reconhecidos, premiados.

No seguimento de Jesus não se reivindica nada, não se pretendem reconhecimentos, não se esperam prémios, porque nem sequer a tarefa realizada se torna garantia ou mérito. O que se faz pelo Senhor, faz-se gratuitamente e bem, por amor e na liberdade, não para ter um prémio…

 

 

Folha Informativa 29-09-2019

Domingo XXVI do Tempo Comum (PDF)     TEXTO

O dinheiro pode muito bem tornar-se um ídolo, tornar-se um fim em si mesmo, deixando de ser um meio.

Qual é a doença mais profunda do rico? É a que o papa Francisco definiu de mundanidade: a atitude de quem «está só com o próprio egoísmo, e portanto é incapaz de ver a realidade».

Esta parábola sacode-nos sobretudo a nós que vivemos na abundância de uma sociedade opulenta, que sabe esconder tão bem os pobres, ao ponto de já não se dar conta da sua presença.

Enzo Bianchi, In Monastero di Bose

Não devemos aguardar acontecimentos
prodigiosos para nos convertermos

Papa Francisco, 18 de Maio de 2016 (resumido)

Meister des Codex Aureus Eptarnecensis

O portão da casa do rico está sempre fechado ao pobre. O rico veste-se com roupas de luxo, enquanto Lázaro está coberto de chagas; cada dia o rico dá banquetes requintados, enquanto Lázaro morre de fome. Lázaro representa bem o grito silencioso dos pobres de todos os tempos e a contradição de um mundo em que riquezas e recursos imensos se encontram nas mãos de poucos.

Os pobres e os ricos morrem, têm o mesmo destino, como todos nós, para isto não há excepção. E então aquele homem dirigiu-se a Abraão sem, durante a vida, demonstrar consideração alguma por Deus, ao contrário, fez de si mesmo o centro de tudo.
Ignorar o pobre significa desprezar a Deus!

Há um pormenor na parábola que deve ser observado: o rico não tem nome, mas somente um adjectivo: enquanto o nome do pobre é repetido cinco vezes, e «Lázaro» quer dizer «Deus ajuda». Lázaro, que jaz diante da porta, é uma evocação viva de Deus, mas o rico não aceita tal evocação. Portanto, será condenado não pelas suas riquezas, mas por ter sido incapaz de sentir compaixão por Lázaro e de o socorrer.

No além, a situação inverteu-se. Agora, o rico reconhece Lázaro e pede-lhe ajuda, mas quando vivia fingia que não o via. Quantas vezes tantas pessoas fingem que não vêem os pobres! Para elas, os pobres não existem.

O próprio Abraão oferece a chave de toda a narração: explica que bens e males foram distribuídos de modo a compensar a injustiça terrena, e a porta que durante a vida separava o rico do pobre transformou-se num «grande abismo». Enquanto Lázaro jazia diante da sua casa, para o rico havia a possibilidade de salvação, de abrir a porta de par em par e de ajudar Lázaro, mas agora que ambos faleceram, a situação tornou-se irreparável. Deus nunca é directamente interpelado, mas a parábola alerta de maneira clara: a misericórdia de Deus por nós está vinculada à nossa misericórdia pelo próximo; quando esta falta, também aquela não encontra espaço no nosso coração fechado, não pode entrar. Se eu não escancarar a porta do meu coração ao pobre, aquela porta permanece fechada. Inclusive para Deus.

Para nos convertermos, não devemos aguardar acontecimentos prodigiosos, mas abrir o nosso coração à Palavra de Deus, que nos chama a amar a Deus e ao próximo. A Palavra de Deus pode fazer renascer um coração que se tornou insensível e curá-lo da sua cegueira.

Nenhum mensageiro nem mensagem alguma poderão substituir os pobres que encontramos no caminho, porque neles é o próprio Jesus que vem ao nosso encontro. Assim, na inversão dos destinos que a parábola descreve está escondido o mistério da nossa salvação, na qual Cristo une a pobreza à misericórdia.

 

 

Folha Informativa 22-09-2019

Domingo XXV do Tempo Comum (PDF)     TEXTO

Nicholas Poussin, Adoração do ídolo

O dinheiro pode muito bem tornar-se um ídolo, tornar-se um fim em si mesmo, deixando de ser um meio.

Quando se está obcecado pelo desejo de ganhar dinheiro, depressa nos tornamos escravos; rapidamente deixaremos de ter tempo para pensar noutra coisa. «Desconfiar do que possuímos para não sermos possuídos», é um bom princípio.

O sabbat foi precisamente criado para isso: encontrar uma vez por semana o gosto da gratuidade.

É uma forma de permanecer livre.

Jacques Fournier, Marie Nöelle Thabut, In Conferência Episcopal Francesa

Ser santo começa nas pequenas coisas

Papa Francisco, 19 Novembro 2014

Balthasar van Bartemde, O Bom Samaritano

Em que consiste a vocação à santidade?
E como pode ser concretizada?
A santidade é o rosto mais belo da Igreja, é redescobrir-se em comunhão com Deus, na plenitude da sua vida e do seu amor. Compreende-se, então, que a santidade não é uma prerrogativa apenas de alguns: a santidade é um dom oferecido a todos, ninguém se exclui.

Para se ser santo não é preciso ser bispo, padre ou religioso. Não, todos somos chamados a tornar-nos santos. Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade é reservada àqueles que têm a possibilidade de se desligar das tarefas normais para se dedicarem exclusivamente à oração. Mas não é assim.

É precisamente vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho cristão nas ocupações de cada dia que somos chamados a tornar-nos santos. E cada um nas condições e no estado de vida em que se encontra.

És consagrado, és consagrada? Sê santo vivendo com alegria a tua doação e o teu ministério. És casado? Sê santo amando e cuidando do teu marido ou da tua mulher, como Cristo fez com a Igreja. És um baptizado não casado? Sê santo cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho e oferecendo tempo ao serviço dos irmãos.
“Mas, padre, eu trabalho numa fábrica… Eu trabalho como contabilista, sempre com os números, mas aí não se pode ser santo…”.
Sim, pode-se! Onde tu trabalhas podes tornar-te santo. Deus dá-te a graça de te tornares santo.

És pai ou avô? Sê santo ensinando com paixão aos filhos ou aos netos a conhecer e a seguir Jesus. E isto exige tanta paciência, para ser um bom pai, um bom avô, uma boa mãe, uma boa avó, exige-se tanta paciência, e nesta paciência acontece a santidade: exercitando a paciência.
És catequista, educador ou voluntário?

Sê santo tornando-te sinal visível do amor de Deus e da sua presença junto a nós.
Cada estado de vida leva à santidade, sempre. Na tua casa, na estrada, no trabalho, na Igreja, nesse momento e com o estado de vida que tu tens está aberto o caminho para a santidade.
Não te desencorajes de percorrer este caminho. É o próprio Deus que te dá a graça. E isto é a única coisa que pede o Senhor, é que nós estejamos em comunhão com Ele e ao serviço dos irmãos.

Cada um de nós pode fazer um exame de consciência: como respondemos até agora ao chamamento do Senhor à santidade? Tenho a vontade de me tornar um pouco melhor, de ser mais cristão, mais cristã? Esta é a estrada da santidade.

Quando o Senhor nos convida a tornarmo-nos santos, não nos chama a algo de pesado, de triste… Pelo contrário! É o convite a partilhar a sua alegria, a viver e a oferecer com alegria cada momento da nossa vida, tornando-a ao mesmo tempo um dom de amor para as pessoas que estão junto a nós. Se compreendemos isto, tudo muda e adquire um significado novo, um significado belo, um significado a começar pelas pequenas coisas de cada dia.

Uma senhora vai ao mercado para fazer as compras e encontra uma vizinha, e começam a falar, e depois vêm os mexericos, e esta senhora diz: “Não, não, não, não posso dizer mal de ninguém.” Esse é um passo para a santidade, ajuda-te a tornar-te mais santo. Depois, em tua casa, o teu filho pede-te para falar um pouco das suas fantasias: “Oh, estou tão cansado, trabalhei muito hoje…”; mas tu adapta-te e ouve o teu filho, que precisa. E tu ajustas-te, ouve-lo com paciência… Este é um passo para a santidade.
Depois acaba o dia, estamos todos cansados, mas a oração… Façamos a oração. Esse é um passo para a santidade. Depois chega o domingo e vamos à missa comungar, às vezes uma bela confissão que nos limpe um pouco. Este é um passo para a santidade. Depois, a Virgem, tão boa, tão bela, pego no terço e rezo-lhe. Este é um passo para a santidade.

E muitos pequeninos passos para a santidade.

Depois vou pela estrada, vejo um pobre, um necessitado, paro, pergunto, dou-lhe alguma coisa, é um passo para a santidade. Pequenas coisas, são pequenos passos para a santidade. Cada passo para a santidade tornar-nos-á pessoas melhores, livres do egoísmo e do fechamento em si próprio, e abertas aos irmãos e às suas necessidades.

Acolhamos com alegria o convite à santidade e apoiemo-nos uns aos outros, porque o caminho para a santidade não se percorre sozinho, cada um por sua conta, mas percorre-se em conjunto, naquele único corpo que é a Igreja, amada e tornada santa pelo Senhor Jesus Cristo. Andemos para a frente com coragem, nesta estrada da santidade.

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Folha Informativa 15-09-2019

Domingo XXIV do Tempo Comum (PDF)     TEXTO

UM DESAFIO, DEPOIS DAS FÉRIAS

Deixamo-nos encontrar por Jesus?
Há muitos momentos na vida em que os seres humanos se podem sentir perdidos, ou então esquecidos, isolados, desprezados.

Quem é capaz de vir ao encontro de um homem ou de uma mulher que, pelos seus problemas, pelas suas culpas ou pela sua condição de vida, todos rejeitam?

Só alguém que tenha um coração em que todos caibam, um coração capaz de os acolher, escutar, corrigir, consolar e, sobretudo, perdoar e ajudar a recomeçar.
Foi o que fez Jesus, como nos relata S. Lucas, no Evangelho de hoje, e só Ele o podia ter feito, pelo poder da sua divindade, unida à sua humanidade, e só Jesus vivo e glorioso o pode continuar a fazer hoje, através da sua Igreja.

Quem se encontra com Jesus, experimenta uma proximidade que não encontra em mais ninguém, mas que não é simples tolerância, não é cumplicidade com as nossas fraquezas e misérias: é amor que perdoa, purifica e renova.

Mas devemos ainda perguntar, muito sinceramente: deixamo-nos encontrar por Jesus? Para que este encontro aconteça, não apenas sob a forma de um bonito desejo, mas de facto, no mais íntimo do nosso ser e na verdade da nossa vida, desafio cada um, neste regresso de férias, a recorrer com mais frequência ao sacramento da Confissão ou Reconciliação.

É muito importante que cada um de nós se confesse com frequência e, se possível, ao mesmo sacerdote, para que nos possa conhecer e ajudar melhor.
A fé diz-nos, e a Igreja ensina-nos expressamente que, através do sacerdote, é Jesus que nos fala e nos perdoa. Cada confissão sacramental é um encontro com Cristo vivo, que nos abraça com imenso carinho, e fortalece – ou restitui, se a tivermos perdido – a comunhão com Ele, na sua Igreja.

É um momento único e decisivo na conversão constante a que somos chamados. Faz-nos sentir como somos: conhecidos e amados.
E depois, a experiência do perdão e da misericórdia que fazemos, torna-nos mais disponíveis para perdoar aos outros, sempre que for necessário, e para os amar e servir com os mesmos sentimentos de Jesus.

Só o amor e a misericórdia de Jesus poderão transformar este mundo, e fazer dele um mundo de justiça e de paz.
É o que queremos pedir hoje confiadamente, no início de um novo ano pastoral, por intercessão de Maria, Nossa Senhora, refúgio dos pecadores e Mãe de misericórdia.

Cón. José Santos Ferreira

Novo Ano, novo ciclo

Neste início de Ano Pastoral, a Paróquia de São Francisco Xavier entra também num novo ciclo, com a substituição do Vigário Paroquial e novos Horários, a partir de 17 de Setembro.

O Pe. Marcos Martins, nomeado Vigário Paroquial de São Francisco Xavier e de Santa Maria de Belém a 16 de Julho de 2016, foi agora escolhido pelo Cardeal Patriarca, D. Manuel Clemente, para assumir a responsabilidade pastoral pelas Paróquias de Nossa Senhora da Assunção de Cadafais e de Nossa Senhora de Fátima do Carregado, passando também a ser Assistente Regional Adjunto de Lisboa do Corpo Nacional de Escutas (CNE).
No passado dia 03 de Setembro, dia de S. Gregório Magno, realizou-se uma Festa de Despedida na Igreja de São Francisco Xavier, seguida de jantar partilhado.
As imagens e um vídeo estão disponíveis no site da Paróquia (www.paroquiasfxavier.org)
As últimas celebrações eucarísticas do Pe. Marcos nas nossas Paróquias são neste Domingo, 15 de Setembro, às 12h00 em Santa Maria de Belém e às 18h30 em São Francisco Xavier.

NOVO VIGÁRIO
Para o seu lugar foi agora nomeado o Pe. António Borges da Silva, nascido a 23 de Novembro de 1965, sacerdote desde 13 de Junho de 1993, Reitor da Igreja da Memória, da Diocese das Forças Armadas e Segurança.

Desempenhou as funções de Capelão da Academia Militar (Sede e Amadora) e integra as Capelanias da Unidade de Segurança e Honras do Estado, ambas da Guarda Nacional Republicana, detendo a patente de Tenente-Coronel.
O Pe. Borges vai manter as suas actuais funções.
A primeira Eucaristia do novo Vigário Paroquial da nossa Paróquia será na Missa das 12h00 deste Domingo, dia 15 de Setembro.

MUDANÇA DE HORÁRIOS
Além das alterações de Vigário Paroquial, a partir do dia 17 de Setembro entram em vigor novos horários na Igreja Paroquial.Assim, as Missas de 3ª feira a sábado e vésperas de dias santificados passam para as 19h00 e a Missa de Domingo é às 12h15, mantendo-se o horário das 18h30 na Missa da tarde de Domingo.
Quanto ao Terço, é recitado de 3ª a 5ª feira e ao sábado às 18h30.
À 6ª feira a recitação do Terço deixa de ser comunitária, para não interromper a Adoração do Santíssimo, cujo novo horário é das 16h30 às 18h45, na Igreja Paroquial
A Devoção do Primeiro Sábado passa para as 18h15, enquanto a Via Sacra, durante a Quaresma, será à 6ª feira às 18h15.

Todas as alterações aos horários estão afixadas à porta das Igreja Paroquial e de Caselas e encontram-se disponíveis no site da Paróquia, em

Horários no novo Ano Pastoral, a partir de 17 de Setembro

 

Misericórdia

Bartolome Esteban Murillo, Regresso do filho pródigo

D. Tolentino de Mendonça
8ª Meditação do Retiro Quaresmal com o Papa Francisco, 2018

A misericórdia «não é dar ao outro o que ele merece».
A misericórdia é compaixão, bondade, perdão.
É «dar a mais, dar mais além, ir mais longe».
É um «excesso de amor» que cura as feridas.
A misericórdia é um dos atributos de Deus.
Por isso crer em Deus é crer na misericórdia.
A misericórdia é um Evangelho a descobrir.

 

 

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Folha Informativa 30-06-2019

Domingo XIII do Tempo Comum (PDF)     TEXTO

Joaquin Sorolla, Concha en Javea

Vamos a Jesus, demos-Lhe o nosso tempo,  encontremo-nos com Ele todos os dias, na oração,
num diálogo de confiança e pessoal.

Enquanto nos meses de Verão procuraremos um pouco de descanso do que cansa o corpo, não nos esqueçamos de encontrar o verdadeiro alívio no Senhor.

Papa Francisco

 

Seguir-Te-ei, mas….

Ir. Antonella , In “Monastero di Bose”

Vincent van Gogh, O Semeador

Jesus toma a decisão de enfrentar até ao fim o seu caminho para Jerusalém.

Sabe para onde vai e concentra todas as suas energias para permanecer firme e não Se perder. A sua coragem apoiada pela fé e pela vontade, e alimentada pela sua paixão por Deus e pelos homens, torna-se força para não Se dobrar perante os sofrimentos que Lhe serão infligidos pelos seus adversários.

A mesma resolução é pedida ao discípulo no difícil seguimento. Ao longo da estrada Jesus encontra pessoas que querem segui-Lo, fascinadas pela promessa de um outro lugar que rompe com os formalismos e as estruturas que secam uma religião.

Mas quando alguém aceita, na liberdade e por amor, empreender essa viagem, não pode cultivar hesitações e incertezas querendo voltar atrás, prisioneiro dos hábitos de um tempo passado.

As respostas de Jesus são de uma dureza desconcertante. Com uma linguagem particularmente forte talvez queira colocar à luz a nossa fragilidade e os nossos desvios: conhece as fortalezas em que nos escondemos e as armas de que dispomos para nos defendermos da sua ternura.

Os potenciais companheiros de Jesus parecem, em certa medida, hesitantes, como que travados pela radicalidade das suas palavras. Querem seguir Jesus, mas antes pretendem resolver alguns assuntos considerados urgentes e irrenunciáveis. Nós, humanos, somos feitos assim: temos grandes impulsos («seguir-Te-ei para onde quer que fores»), mas ao primeiro obstáculo facilmente retrocedemos.

Jesus quer tornar-nos pessoas livres: livres da possessão das coisas e das pessoas, livres enquanto não aprisionadas em ninhos seguros feitos de imobilismo, porque «o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça».

Diante da proposta de Jesus de O seguir, o anónimo pede para poder sepultar primeiro o pai. A resposta de Jesus não é, decerto, um convite à desumanidade, mas reivindica de maneira clara a exigência de colocar ordem nos afectos. Não se trata de verificar a nossa boa vontade, mas de reconhecer e deixar-se guiar pela verdadeira atracção pelo Pai.

Não vale a pena continuar a voltar o olhar para o nosso passado, dobrados sobre nós mesmos: é-nos pedido sair de toda a forma de controlo sobre a vida e de olhar fixamente para Cristo, Ele que é caminho, verdade e vida.

Cada um de nós é aquilo em que se torna, não o que foi. Aprendamos a reconhecer e ousar o nosso mais profundo desejo, que tem a ver com o futuro do nosso rosto. E se tivermos coragem, ainda que com fadiga, não fugiremos ao amor e saberemos fazer nossa a Palavra: «Senhor, para quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna»

 

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